A conta

Ela veio sorrateira, como quem não parece estar cobrando algo devido. Chegou primeiro como uma vontade de ter o segundo filho – algo natural, saudável, sem urgência. Era ao menos assim que me parecia. Eu, que tive minha segunda gestação interrompida de forma abrupta e inexplicável, começava a ter uma vontade crescente e, aparentemente controlável, de ser mãe de novo.

Mas era incontrolável. Era pungente. Ser mãe de novo foi virando missão conforme os meses se passavam e a menstruação continuava vindo. E, como em toda missão, eu tinha um objetivo claro e pelo qual faria o que fosse possível. Por isso, seis meses depois, minha nova saga a espera de novo filho recomeçaria.

Como engravidei da Yolanda naturalmente após tantos tratamentos, decidimos começar de forma leve, sem maiores intervenções. Comecei usando o famoso clomid para estimular ovulação. Mas não funcionou. E minha saga de tratamentos recomeçaria, sem a mesma urgência de antes, é verdade, mas nem por isso com menos frustração.

A tristreza pelo insucesso de tratamentos para engravidar não é relativizada porque já se tem uma filha. O que fica mais fácil é seguir adiante já que temos uma vida linda a nosso lado para cuidar, amar, guiar. Mas lá dentro, no íntimo, longe das falas de “pensa na Yolanda, na sua família linda, é isso que importa…”, a decepção de não conseguir realizar um sonho continua. E os altos e baixos dos hormônios que estão ali para nos ajudar a conseguir a tão esperada gravidez, nessa hora se voltam contra a gente tornando tudo ainda mais difícil.

É a conta do luto. Cedo ou tarde, ela sempre chega. E nessa hora, quem está
nessa caminhada com a gente – marido, filhos, mãe, pai, irmãos… – é tão importante. A força e o apoio incondicional deles é fundamental para nos confortar e nos ajudar a levantar sempre que preciso for.

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21/02/2015 at 09:32 Deixe um comentário

Depois do aborto

Um aborto é uma experiência muito traumática. Não há como passar por isso de uma forma leve, fácil, sem dor. E já ter um filho não alivia.

Na época em que perdi aquela gestação com 10 semanas de gravidez eu estava no olho de um furacão que joga de cabeça pra baixo a vida de muitas mulheres. Vivia o primeiro ano da Yolanda e também uma volta ao trabalho com direito à mudança radical de função e aumento de responsabiidade. Ou seja, encarava o cansaço e as incertezas comuns a ambos momentos.

Diante de tudo isso, não vivi o luto. Olhando hoje pra trás, passados quase 3 anos, tenho a sensação de que passei por cima dele num ato recorrente em minha vida. Tenho por (péssimo) hábito atropelar acontecimentos, traumas e, no meio de tudo isso, pessoas. A principal delas, eu mesma.

Entrei naquela gestação perdida e saí dela da mesma forma, envolvida com as mesmas coisas, me preocupando com a filha que acabara de ter e com o trabalho novo que me consumia o que restava de tempo. Faltava tempo pra mim, pra me cuidar, pra me sarar.

Um aborto não é algo corriqueiro. Um aborto não é algo que se apaga. Saber que uma vida se interrompeu dentro de você sem se saber o porquê deixa muitas dúvidas no ar e uma tristeza imensa que precisa ser vivida.

Atropelei minha dor. Não vivi meu luto. E hoje entendo que, se para os outros seguir adiante rapidamente é sinal de força, de superação… Pra mim é sinal de que a conta virá mais tarde. Porque ela sempre vem.

19/02/2015 at 20:37 Deixe um comentário

A espera de um segundo filho

Voltei ao blog depois de 3 anos e quatro meses. Essa é a idade atual de Yolanda, uma menina linda, esperta, extrovertida, alegre e que nos ensina dia a dia o que é o amor incondicional. Amo minha filha de uma forma tão imensa que não há formas de traduzir isso em palavras.

Quando Yolanda nasceu, achei que a página da espera havia sido virada em minha vida. O positivo do exame de farmácia naquele 04 de março de 2011 parece que tirou o peso dos 8 anos anteriores. E como isso foi bom! Minha gravidez não foi revestida de uma camada extra de medo, angústia, cuidado e ansiedade pelo fato de ter sido uma gestação tão esperada, tentada e planejada em consultórios e clínicas de fertilização. Nunca nos 9 meses de espera pelo nascimento da minha filha achei que alguma coisa não daria certo. E, graças a Deus, tudo correu bem, com uma gestação sem intercorrências e um parto lindo e emocionante.

Pois naquele momento não imaginaria que em meses estaria eu, de novo, a espera de um filho. Um filho que não chega.

Quando Yolanda tinha seis meses, engravidei de novo. Um susto! Eu ainda estava destruída pelos primeiros meses de uma criança, com noites mal dormidas e uma rotina pesada de cuidados. Sem contar a volta ao trabalho que completava naquele momento pouco mais de um mês. O positivo do exame de farmácia naquele dia (véspera de feriado de Corpus Christie em 2012) foi recebido com mais surpresa do que alegria. Como daria conta de mais uma criança com diferença tão pequena? Como dizer no trabalho? Na verdade, só não estava desesperada porque, de alguma forma, os 8 anos para engravidar da Yolanda davam à novidade a dimensão de um milagre. Um segundo milagre em nossas vidas.

Fiquei assustada e não conseguia curtir o início da gravidez. Vivi o medo, as incertezas, as dúvidas que rondam a cabeça de muitos pais no início de uma gestação, mas que nunca estiveram no meu horizonte porque ter um filho sempre foi pra mim um sonho difícil e uma batalha árdua. Mas dessa vez a gravidez fácil, sem esforço, veio em um momento inesperado e que, de certa forma, era meio errado. Ou, pelo menos, não era “perfeito”.  O peso foi outro e, com isso, só comecei a curtir a gestação lá pela nona semana, quando saiu o resultado do exame de sangue que mostrou que esperava agora um menino. Era a vez do Armando vir ao mundo.

Meio anestesiada, meio eufórica, meio sem saber como arrumar a vida daqui pra frente, meio sem cabeça para o trabalho justamente no momento em que precisava retomar com força total, meio sem acreditar no que estava acontecendo… Foi assim que enfrentei um início de gestação bem diferente do que vivenciei na gravidez da Yolanda.

Pois quando começava a me acostumar com tudo isso, uma cólica forte me fez acordar no meio de uma madrugada da décima semana, em pleno dia 11 de julho. Não perdi sangue e a cólica se transformou numa dor de barriga daquelas, com vômito e toda a pinta de ser uma infecção intestinal. Passado o mal estar noturno, voltei a dormir e, pela manhã, liguei pra minha médica. Ela me tranquilizou, mas pediu que eu tentasse agendar uma ultra apenas para nos certificarmos de que o bebê estava bem.

Fui trabalhar e, no fim da tarde, consegui um encaixe na clínica onde costumava realizar meus ultrassons. Fui sozinha e animada pela oportunidade de ver meu bebê antes da ultra de 12 semanas, Como não havia sentido mais nada, como não havia sangrado, acreditava estar tudo bem. Ali, eu voltava a parecer a Patricia da gestação da Yolanda, sem medo de nada, sem pensar em perigos, problemas, insucessos. Não imaginava que poderia perder o bebê.

Até hoje não entendo o que aconteceu ali naquele dia. Começou a ultra e eu parecia tampar o sol com a peneira. Eu sabia que exames assim mostram de cara a imagem do coração batendo, mas parecia que eu não queria ver o que estava ali na minha frente. Eu puxava assunto com o médico, falava de amenidades como se fugisse da realidade de uma imagem no monitor do aparelho sem os tais batimentos. O médico se mantinha concentrado e eu me mantinha ali tagarelando, num claro processo de negação, de medo, de auto-proteção. Eu não queria ouvir a notícia e, de alguma forma, meu inconsciente tentava adiar o momento em que ele confirmaria o que eu já sabia, mas fingia não ver: que meu bebê estava morto.

Foi o pior dia da minha vida. Eu ali sozinha com aquele médico, sem meu marido, minha mãe, minha filha… sem ter quem abraçar.

Dia 11 de julho de 2012, por volta das 20hs. Numa rua do Leblon, parada dentro do meu carro, chorei com força, com dor, com medo. Ali meu mundo momentaneamente desmoronou e eu voltei a esperar.

Uma espera bem diferente da primeira e que vou começar a contar aqui no blog a partir de hoje.

17/02/2015 at 22:31 Deixe um comentário

Eternamente Yolanda

É amanhã!

20 de outubro. Que dia especial!

Bem-vinda, minha querida filha Yolanda! Mamãe te espera com muito amor.

19/10/2011 at 19:15 3 comentários

Sete meses

Sete meses de gestação são, para mim, um marco. Talvez porque sempre tenha ouvido falar das pessoas que nasceram com esse tempo de gravidez e ficaram bem, seguindo na vida firmes e fortes.

Assim como o marco das 12 semanas, que afasta aquele medo inicial de perder o bebê no primeiro trimestre – algo muito comum – completar sete meses é chegar naquele patamar de maturação que permitiria á minha filha viver fora da barriga sem muitos traumas. Claro, teria a dura rotina de permanência na incubadora, para que os pulmões terminem de se formar e o peso geral aumente, mas as consequências mais graves começam a ser minimizadas. Pelo menos é o que o senso comum nos faz acreditar…

Por isso, chegar aos sete meses completos é uma vitória para mim, Yolanda e Dani. Nós três estamos muito felizes com essa gravidez que segue seu curso natural.

A foto que celebra essa etapa foi feita nesse último final de semana em Búzios, lugar mágico que sempre embalou momentos especiais de meu relacionamento com Dani e que, agora, foi oficialmente apresentado a Yoyo.

Porque tenho certeza que, nas areias de Geribá, nosso refúgio, seremos sempre muito felizes. E ainda mais agora que Yoyo estará coma  gente.

Bjks,

Patrícia Koslinski

24/08/2011 at 12:02 11 comentários

Como ela vai ser?

Inevitável a gente ficar imaginando como nosso filho vai ser… E olha que, hj, já tem a tal da ultrassonografia 3D  que nos permite praticamente ver o rostinho de nosso bebê.

Pois essa semana meu irmão me enviou algumas fotos de quando eu era criança. Devia ter uns dois para três anos nessa aqui. Era Carnaval e eu já denunciava que era animada…

Fico olhando para essa foto e pensando: será que Yoyo vai ser assim? Será que vai parecer com a mamãe ou com o papai? Vai ter essa minha energia toda ou puxar a inteligência acima do normal do pai? E os defeitos da gente, quais ela vai herdar? Ai, ai…

Isso nem a ultra 3D é capaz de responder. Por isso, tenho que colocar freio na ansiedade e curtir a espera.

Bjks carinhosas,

Pat e Yoyo K

18/07/2011 at 15:50 6 comentários

Picolé de limão

Nossa, como enjoei nos primeiros meses! Cheguei a faltar no trabalho de tão mal que me sentia!

Não tinha vontade de comer nem beber nada. E eu, que sempre fui gulosa, me via em mesa de restaurante deixando comida no prato e fazendo cara feia para medalhão com arroz a piamontese, um dos meus pratos preferidos.

Café, então… Meu Deus, não conseguia sentir o cheiro. E até água descia difícil. Parecia que tinha gosto!

Pois minha nutricionista, a Dra. Simone do Espaço Nutriente, me deu a dica: picolé de limão. Não que a tática funcione para todas as grávidas… Mas pra mim, posso garantir, foi antídoto para o mal. Todo dia, quando a coisa apertava, ía no congelador e pegava meu picolé de limão. Ainda bem que Kibon, Itália e outras marcas já fazem pacotes para levar para casa…

E assim, com muitos picolés de limão, enfrentei os primeiros 3 meses de gestação. Mas claro que, hj, não consigo nem pensar neles. Picolé de limão, agora, encalha no congelador.

Mas para quem está na fase dos enjoos, sugiro tentar.

Bjks carinhosas.

Pat e Yoyo K

12/07/2011 at 15:52 4 comentários

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Falando com Yolanda

Andreia em Eternamente Yolanda
Priscila em Enfim, esperando Yolanda
Erika Valentim Moro em Enfim, esperando Yolanda
Erika Valentim Moro em Sete meses
Erika G. Medeiros em Sete meses

@EsperandoYoyo